Estrangulou e correu

19:22


Uma mulher estrangulou a outra. Matou e deixou o corpo abandonado perto de um cemitério. Era assim a história, ou pelo menos essa era a versão da irmã da vítima. Francisca Cláudia Pereira Monteiro, de 37 anos, tinha família em Sousa, no sertão paraibano, mas morava em Lagoa Seca, fazia programas na rodoviária velha de Campina Grande e foi morrer em Boqueirão.

Foi estrangulada e morta depois de viajar até a cidade onde morava uma outra prostituta, conhecida somente por Simone. Fracisca era uma mulher braba, que como contou a irmã, bebia muito e não levava desaforo pra casa. Pra manter o costume foi tomar satisfações com Simone, cobrar uma dívida de R$ 60. A outra mulher disse que pagaria a quantia ainda naquela noite. ‘Vou ali fazer um programa e te dou, espera aí’. Francisca esperou sentada em um bar.

A irmã dela me contou isso por telefone, e não consegui imaginar como Francisca era, mas inventei pra mim que ela estava sentada bebendo cerveja e fumando o cigarro mais barato. Essa parte eu não sei te confirmar, porque não ia fazer uma pergunta dessas a Maria do Socorro, que atendeu minha ligação no telefone do UML de Campina, enquanto esperava a documentação para liberar o cadáver da irmã. Telefone, aliás, passado à muita contragosto pelo atendente, que pensou que não ouvi quando resmungou antes de gritar ‘Ei, a família aí da mulher estrangulada em Boqueirão’.

O corpo de Francisca foi deixado perto de um matadouro, que fica próximo também ao cemitério da cidade, e foi encontrado lá pelas 5h da manhã dessa quarta-feira. Assim contou o delegado Erissandro Pinto de Andrade, que logo que conversou comigo, achava que tinha sido caso de briga de marido e mulher. “Rapaz, pelas marcas que tinham no corpo, era coisa de agressão de homem”. Ninguém sabe se foi Simone, ninguém sabe se foi um homem. A única coisa que sei é que Francisca vai ser enterrada amanhã, em Sousa, e que não deve ter gostado nada de ter engolido esse desaforo à seco.

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1 comentários

  1. Muito bom! Caramba: se os jornais publicassem textos assim, poderia facilmente fazer a assinatura de um deles... Isso é que é TEXTO pra mim! Saí de Jornalismo detestando o tal do LEAD; você soube "se fazer" COM ou SEM ele! PARABÉNS! ;D

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