O pátio

17:40



# Foto tirada por mim - Presídio do Serrotão

Era domingo de manhã, dia de visita. Do lado de fora as mulheres faziam barulho no portão principal: sacolas plásticas abarrotadas de comidas eram remexidas, reclamações de fila furada, calor. No pátio da Penitenciária máxima do Serrotão estavam espalhados 400 homens se dividiam entre a chegada dos familiares, rodas de baralho, amassos com as namoradas e banho de sol.

Havia ainda aqueles de olhares ansiosos para o portão, que viravam a cabeça todas as vezes que a estrutura de ferro rangia indicando a chegada de alguém. Para eles, significavam as visitas que não vinham nunca. A esses restava se juntar com os evangélicos, que ficavam de terno e bíblias em punho, andando em círculos pela quadra e deixando escapar um ‘aleluia’ de vez em quando, enxugando o suor com os punhos da camisa.

Todas as conversas se misturavam em um volume alto, era impossível distinguir uma voz, um assunto. Fiquei de pé, olhando tudo, ao lado do diretor do presídio, que ria silenciosamente do meu espanto. Quando sai dali, a grade escura se trancou atrás das minhas costas e ele riu: ‘Viu? Você saiu do inferno sem se arranhar’. Devolvi o riso, mas secretamente discordei.

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