Uma prece

15:15


Fé para silenciar e força nas pernas pra correr de olho-argouro, crueza nos peitos, ruindade no juízo e gente sem amizade. Corro, depressa, rápido: quem não tem comadre com quem chorar junto procura a qualquer custo um zombar-desespero de quem tem paricêro na calçada. Morro de medo de baixo astral, e nessas horas o que me acode é uma tuia boa de covardia que conservo no peito, porque medo também protege, faz alerta, sinal da cruz, vermelho-perigo. Aí corro léguas abrindo bem as ventas, forçando a entrada de ar novo, comendo luz, mastigando estrelas... Fé, força, amor, amor, amor!

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