Uruguai: ônibus, caminhada e ramblas :)

22:25

















Fui pra lá em setembro de 2015 e confesso que foi meio de "supetão". Na verdade eu havia comprado passagem para Porto Alegre e ia passar pouco mais de uma semana por lá mas o "futico" de viajar era tão grande que acabei pensando que umas horinhas de ônibus não me matariam, passagens de ida e volta ficaram em torno dos R$ 400,00 e achei que valeria arriscar. Chegando em POA de manhã fui direto para o metrô, desci na rodoviária e guardei as malas por lá. O ônibus para o Uruguai sairia por volta das 22h então eu teria praticamente um dia livre pra bater perna. Andei pela área central, Gasômetro e num instante deu a hora de viajar. 

Preciso dizer aqui que o serviço de bordo do ônibus é trilhões de vezes melhor que o da Gol. Agora leve casaco, toalha e a mulesta toda pois o frio que faz é imoral. Saí de noite e depois de muito cochilar (quase 10h de viagem) cheguei ao Uruguai cedinho, fazia um frio de torar mas eu amei ficar com a venta na janela fria olhando como a cidade acordava e se preparava para um dia comum de trabalho. Adoro quando eu chego num destino assim, em dia de semana, a impressão que tenho é que está sendo uma experiência mais real. Ainda passando pela estrada dava pra ver o pessoal da zona rural saindo. 

Lá eu fiquei hospedada no Unplugged Hostel, que inclusive não recomendo muito. A localização é bacana (fica no bairro Pocitos) e o pessoal é super educado, mas a estrutura em si deixou a desejar. Banheiros sujos e chuveiros que não esquentavam direito e pra mim, que tenho frio por nada, foi bem tenso.


Logo depois de chegar tomei um banho e peguei o busão descendo (subindo? Nem sei) para a Ciudad Vieja, tipo o centrão histórico da cidade e tem muita coisa bonita pra se ver por lá. Ônibus, aliás, foi o que eu mais peguei por lá e achei super tranquilo. Andei muito e fui parar no Café Brasileiro, um dos bares históricos mais antigos de Montevidéu. Eu, #coidipobi como sou, tratei de pedir o basicão: uma cerveja e um tira gosto. :P O lugar é bem parada de turista mesmo mas é bom, me deu a impressão de estar em outra época.

Um lugar bacana que recomendo a visita é o Mirador de La Intendencia, fica no centro e tem horários específicos para poder subir e admirar a vista da cidade. Por lá eu sentei em um banquinho e fiquei vendo o Uruguai do alto. Mesmo sendo um lugar muito bonito, confesso que deu agonia o marrom do Rio de La Plata que envolve a cidade como se fosse mar. Dá a impressão que a água está sempre baldeada, sem calma, não passa uma sensação boa.

De lá se ouve muito barulho de carro, caminhões e alarmes, isso porque a Avenida 18 de Julho é bem próxima. Olhando as anotações que fiz esse dia no meu caderninho (pois sim, sempre viajo anotando tudo) vejo que nesse dia "faz mais frio, como o céu estivesse preparado para chover". Se eu pudesse citar as cores mair urgentes da cidade, com certeza seriam branco sem vida, cinza e marrom. Em alguns momentos essa mistura aí me deixou com uma certa angústia, sério.

As ramblas de Montevidéu são tipo avenidas à beira-mar(rio!), o tipo de passeio que não pode faltar. O que eu achei massa é que lá eles levam bem a sério essa história de passear com cachorros e tipo, uma profissão super concorrida (e, imagino, gratificante). Bateu uma saudade de casa e acabei parando pra fazer uma foto e "conversar" com a galera, hehehe. :D


Depois de três dias por lá (e confesso que tô com preguiça de dar detalhes da viagem toooda), era hora de voltar pra Porto Alegre. Rolou um momento bem tenso pois era noite, chovia e eu precisava chegar com urgência no Terminal Rodoviário pois eu estava atrasada. Parecia cena de filme, eu sem conseguir parar um táxi sequer! Tá aí, me bateu uma sensação de solidão pesada, eu me senti desamparada geral. Uma cidade desconhecida, à noite, maior toró e eu nervosa. Foi quando eu fiz uma prece bem rápida e do nada (do nada!) um táxi parou perto de mim. Obrigada, anjo da guarda! ;)

Paz
Dessa viagem recordo de um momento super íntimo e mágico. Era noite, sentei sozinha em uma das ramblas pra olhar a lua e do nada comecei a chorar. Era uma sensação de gratidão que eu não sei descrever. Por não comentar nada com ninguém, tudo escorria pelos meus olhos. Eu estava feliz, me sentia viva de fato, orgulhosa de mim mesma. Grata por ter saúde e com um balaio de sonhos bestas para realizar. Havia acabado de mudar de emprego e estava me sentindo forte por fazer uma viagem sozinha, com minha graninha suada, com minhas anotações, comigo mesma em silêncio comemorando até as mais bestas das conquistas. Parece bobagem grande mas cara... isso pra mim teve um significado e tanto! 

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