Alcântara: de barco até a cidade sem foguetes

10:34


Era sábado, acordei cedinho e fui caminhando até o Cais da Praia Grande, no Centro Histórico de São Luís. É de lá que sai o barco para a cidade de Alcântara. A um preço de R$ 30,00 (ida e volta) é possível fazer o passeio, isso se você dispensar o serviço de guia. Para seguir acompanhando uma excursão você pagará R$ 60,00 e uma dica: vá! Acabei indo sozinha e me arrependi um pouco por um motivo muito básico: segurança! :/ Daqui a pouco falo mais disso mas antes eu queria comentar uma coisinha... a viagem de barco!


Fui pela empresa Luzitana. Uma hora e meia de saculejos, segura na mão de Deus, pai-nosso, a vida passando diante dos olhinhos e balanços. O barco vai tooodo para um lado e depois toooodo para o outro, atravessando o mar. Há épocas em que as ondas chegam a três metros mas graças a Jeová nessa viagem que fiz não passaram de um metro e meio (o cara das velas me falou, então tá!). Ao comentar dessa experiência com um colega meu que havia feito o mesmo passeio ele falou uma coisa que me deixou rindo por dias: "Tinha horas que eu estava lá no barco e pensava... por que eu fiz isso comigo?", HAHAHAHAHA! Era exatamente isso que eu sentia, véi!

Eu estava nervosa e com vergonha da minha cara de amarela enquanto os nativos me olhavam com aquele sorrisinho de "hehehe, #SiFudeu". E olha que a ida foi super de boa por causa de um segredinho básico: eu não fiquei na parte de baixo do barco, estava agoniada para sentir vento no rosto e me sentei ao lado do senhorzinho que comandava as velas lá em cima. Eu juro que fiz umas trinta tentativas de tirar uma foto sorrindo mas o máximo que eu consegui foi isso aí, ó:


Isso aí, garota! Sorrisão natural, hein? HAHAHA! Ok, tem muito drama meu aí e não dá pra morrer, é só emocionante e indico não comer muito antes de embarcar. Depois de desistir de tirar uma foto que preste acabei enfiando a máquina na mochila e aproveitando a paisagem. Água-muita e vento-assanha-cabelo. Foi bom, me senti obrigada a fechar os olhos, me observar por dentro por alguns segundos e agradecer por tudo. Eu estava me sentindo viva e isso saiu arrepiando cada pelo do meu corpo: eu estava viva e com saúde!  Putz, eu estava me movendo, dando à minha alma a oportunidade de conhecer um lugar novo e isso sempre me empolga.


Alcântara é uma cidade misteriosa, bonita e cheia de história. É lá que tem um Centro de Lançamento de foguetes (tem uma localização que faz com que se obtenha 30% de economia de combustível)  e onde foi registrado um acidente gravíssimo. Fora isso, o lugar é conhecido por ter muitas ruínas e casarões antigos. Realmente, de encher os olhos mas a abordagem insistente dos guias de turismo e a sensação de insegurança me fizeram travar um pouco. É só descer do barco que os guias chegam-chegando, te acompanham sem nem perguntar se você quer. Não contei conversa e fui subindo uma ladeira enooorme até chegar à ruína mais famosa da cidade. Tá aí a cara de exausta e quase-morte, o calor é gigante!


A cidade é miudinha, linda e eu queria ter dormido lá pois dizem que a noite é encantadora mas... te arranca a autonomia de andar só. Situação chata a ponto de eu estar em uma das ruas tentando acertar os pitôcos da câmera pra fazer uma foto e um carro de polícia parar do meu lado. Um dos policiais baixou o vidro numa rapidez que me assustou, colocou o braço pra fora e foi super preocupado ao perguntar: "Você está andando sozinha?" e aí comecei a tremer e respondi só um "sim" de olhos arregalados. "Então guarde a câmera agora e vá andar com um grupo de turistas", putz... isso me deixou tão chateada.

É como se a gente só pudesse existir em bando, em grupo, sem a subjetividade de aproveitar um lugar pelo que ele transmite e sim pelo que os guias dizem insistentemente. Fiz um bico do tamanho do mundo e fui andando, budejando um pouco e obedecendo à ordem do policial. Bora lá, ficar próxima dos grupos de excursão mas sem de fato estar neles.


Tentei esquecer um pouco disso e me concentrar no que a cidade tinha pra me dizer. A parte central de Alcântara é linda, você já chega subindo ladeira e sentindo a energia da cidade. O bacana é que a arquitetura nessa parte não é poluída, as fiações são subterrâneas e na parte mais antiga de lá simplesmente não há postes, o que deixa tudo mais bonito. As ruas são cobertas de pedras que, por causa do tempo, ficaram desgastadas e lisinhas. Trupicar é quase inevitável, até porque olhar para o chão te dará uma sensação de desperdício quando tem tantas construções que te fazem ficar viajando na história delas.


As luminárias expostas na parte externa das casas, os azulejos, as portas com cores bem fortes e pequenos números de metal em cima, tudo isso faz você viajar no tempo. Mas é engraçado pois acostumados com a paisagem e a cidade os moradores nos parecem insensíveis por não estarem aproveitando o lugar, comendo tudo com os olhos. Mas talvez eles achem invasiva a presença de tantos turistas que sobem as ladeiras da cidade, já boquiabertos antes mesmo de terminar a primeira subida, né? Fui embora cedo e confesso que me bateu uma vontade grande de ficar e ver o pôr-do-sol, tem várias partes altas na cidade com vista para o mar e deve ser bem mágico. Fica aí o conselho para quem for lá :)

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2 comentários

  1. Mulher, eu simplesmente AMO essa foto com a carinha de "Porque eu fiz isso com a minha vida?", ela é magnífica demais! KKKKKKK

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    1. KKKKKKKKKKKKKKKKK essa sou eu tentando ser feliz quando na verdade ESTOL É MORRENO!

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