Parte II - Metrô, busão, táxi e caminhada em Buenos Aires :)

20:22


Quando chegamos em Buenos Aires com um total de zero pesos fomos direto para a fila de uma das casas de câmbio do Aeroparque (o aeroporto que fica na parte mais central da cidade). Dica: corra logo para o guichê do Banco de la Nación Argentina pois quando o avião chega a fila fica enorme, maior farofada! O local tem o preço melhorzinho mas só precisa trocar o básico pois nas casas de câmbio do centro da cidade você coooom certeza pega uma cotação de futuro. :)

Como eu havia lido muito sobre taxistas que enrolam turistas (e tenho trauminhas pois no Chile eu fui enganada e desci batendo a porta do táxi de tanta raiva!) preferi pegar logo um transfer. Nos custou 230 pesos e nos deixaram na portinha do hotel. O serviço pode ser contratado em um dos guichês que ficam próximos às casas de câmbio, logo na entrada do aeroporto mesmo. Maaaas se você estiver com pouca mala e quiser ir por conta, passam vários ônibus por lá e me pareceu bem seguro, eu faria isso se tivesse sozinha. :D


Logo depois que deixamos as malas no hotel a primeira coisa que fizemos foi andar... muito! Eu, vovô Leonardo e Tia Marina fazíamos passeios de duas, três horas, só com o sebo nas canelas (já contei do primeiro dia de passeio aqui). Mas usar o sistema de ônibus e subte (como eles chamam chiquemente o metrô lá) é super simples.

Primeiro você compra una tarjeta (perainda, deixa eu gastar meu espanhol!), um cartãozinho que custa 30 pesos, e depois recarrega nas estações de metrô. Se eu não me engano a passagem de metrô era cinco pesos e as de ônibus, seis pesos. E tem linhas para todos os lados! Onde você quiser chegar é só perguntar ou pegar um mapa e tudo certo. Usamos ônibus em um domingo chuvoso e geladíssimo e num minuto os busões passavam, para a nossa alegria pois esperar nas paradas no frio é dose.

Palermo de metrô (4h de passeio)
No segundo dia de passeio saímos do hotel, carregamos o cartão do metrô, pegamos a Linha D e bem rapidinho chegamos no bairro. Descemos na Praça Itália e de lá visitamos (quase todos) os pontos turísticos da região, tudo a pé. Começamos pelo Jardim Botânico, que tem entrada gratuita. Achei o lugar bonito mas não me emocionou muito, é um lugar legal, com carinha de bosque e onde dá para fazer fotos bonitinhas... e só. Inclusive foi onde fiz esse click aí super natural jogando as folhas pra cima, toda emocionada, olhaê que coisa tão bonita!


Depois disso fomos caminhando até o Jardim Japonês e para chegar até lá atravessamos uns bosques bem bonitos, verdes-verdes! Tem muuuita gente passeando com cachorros, uma energia tão boa. A mistura do vento gelado e do sol esquentando a roupa me deu uma sensação maravilhosa.


Bom, o Jardim eu curti um bocado! A entrada custa 70 pesos e lá dentro tem lojinhas, restaurantes e lanchonetes. O espaço não é muito grande mas é tão acolhedor que vale a pena experimentar tudo com calma, sabe? Sentindo o lugar, ficar vendo o pessoal tirando fotos, pensando em nada. Eu e Tia Marina aproveitamos para tomar um chocolate quentinho com pão de queijo, ficamos conversando besteira em um dos quiosques enquanto vovô ficava observando tudo. Inclusive um espaço bacana que tem lá é tipo uma "árvore de pedidos" onde as pessoas escrevem recadinhos e tal... e foi lá que curiando o que o pessoal escreveu, achei essa mensagem super lindinha:


Inspirador, né? Então, deu a hora da fome e estávamos planejando conhecer o Planetário. Caminhamos do Jardim Japonês até lá e ao chegar em frente ao prédio, aquela sensação de roubada. O lugar parecia mal conservado, sem muita coisa legal para ver maaaas o passeio não se perdeu: foi quando a gente encontrou uma barraca de rua de onde saía um cheiro maravilhoso de cebola e ovo frito. Fomos pra lá e tcharãm, por 30 pesos comemos um choripan, quer dizer... no meu caso foi o velho e bom pão com ovo mesmo! Hahaha! Sem comer carne eu sofri um bocado pra encontrar coisas gostosinhas mas esse sebosinho aí matou minha fome geral. Maior emoção o cara pegando no dinheiro, aquele grudinho na unha, passando o troco e pegando no pão, bem temperadinho!


Depois da experiência gastronômica que nos deixou bem pesados fomos andando até o Rosedal, que fica na mesma área. Nesse ponto do passeio eu já estava exaaaausta, até porque o ritmo da viagem contraditoriamente lenta (sim, pois precisávamos a todo tempo seguir o ritmo do meu avô), acabou me deixando um pouco cansada. Essa sensação me fez pensar muito na velhice.


Apesar de sonhador percebo meu avô um tanto quanto bruto em relação à vida e viajar ao lado dele e da minha tia me fez pensar na importância de ter um passado bonito, do qual eu me orgulhe e me torne serena e satisfeita com quem eu fui... e quer saber o melhor? Penso que estou no caminho certo (para mim) e passar esse tempo perto deles fez diferença nisso.


É engraçado pois eu achava que essa não seria uma viagem "minha" mas ao ver meu avô tão frágil, apesar de feliz, acabei pensando muito na minha existência, no meu pertencimento no mundo, na importância de levar mais a sério o presente. Não necessariamente uma seriedade chata, mas de me sentir mais responsável e consciente de quem eu sou para literalmente não perder tempo com o que não irá me trazer plenitude, paz, sossego e aquela sensação de descansar mansamente no sono, sabe? Leseira mas fiquei pensando nisso tudo justamente quando o cansaço físico bateu.

Caminito (Busão)
Dia três. Acordamos cedo, tomamos café (eu não aguento mais ver media luna na minha frente, pela caridade) e fomos até o ponto de ônibus pertinho do hotel. O busão é o La Boca e o destino é o Caminito, com apenas 15 minutos de sacolejadas no ônibus azul chegamos lá. Já fui preparando o espírito para desviar das maracutaias pega-turista, sério, tenho o maior abuso! Em primeiríssimo lugar posso dizer? Esperava bem mais do lugar. É legal, tem aquela pegada popular-povão que eu amo mas em relação ao espaço em si, fiquei desapontada. "Perainda, é apenas esse pedaço de prédio? E ao redor, tem o que?" - foram os primeiros pensamentos que tive, cara.


Achei que o espaço seria mais genuíno, enérgico, sei lá. Apesar disso foi um dos passeios que eu mais gostei e a decepção só foi embora depois que eu passei do prédio famosinho e fui andando pelos restaurantes, lojinhas e aí a sensação de "é só isso?" me deixou um pouco. 


Fazia muito-muito frio, meus lábios já estavam super ressecados mas eu estava achando o vento geladinho tão bom! Paramos num café, pedimos um chocolate quentinho e foi tão aconchegante ficar ali vendo as pessoas passando. :) Depois fomos para a saga de comprar lembrancinhas para amigos, família e tal. As plaquinhas com fileterias roubaram muito o meu coração! Achei tão original, tão lindo, tão colorido. Garanti uma delas e já está fixada na parede da sala do meu apartamento, todas as vezes que passo fico rindo sozinha lembrando da viagem e da maravilhosa sensação de estar em casa, que sonho! 


Por lá almoçamos no restaurante La Barrica. A massa de lá é maravilhosa! O prato sai por 115 pesos (em média) e o ambiente é super bonitinho. O prato é bem-bem generoso mesmo, como eu e tia Marina havíamos comido pouco tempo antes, dividimos uma porção suculenta com um molho de champignon e saí super satisfeita. Quando estávamos lá tinha show de tango (gratuito), mas para quem quisesse tirar fotos com os dançarinos tinha que desembolsar 100 pesos. 

E aí uma coisa que achei bem chata lá: a galera chega pra você na maior simpatia, pergunta se você quer tirar foto e depois que você faz tooodas as poses, eles chegam cobrando. Bom, como vi isso acontecendo com a turistada que estava lá, já fui avisando a vovô: se a galera chegar oferecendo dança, foto ou o que for, apenas solta o No, gracias e segue! Hahaha! 


Em relação ao restaurante, uma observação: não só lá como em praticamente tooodos os demais estabelecimentos eles cobram o tal do cubierto, uma taxa pelo serviço de mesa... ok, mas quem disse que eu sabia? Estávamos com o dinheiro contado para o prato e na hora que a conta chegou o sangue gelou. Jeová, cadê a grana do cubierto? HAHAHA! Cheguei com cara de #Coidipobi no caixa e gastei o espanhol que eu tinha pra dizer que eu não sabia dessa taxa e tal e o cara foi super-super simpático e deixou passar. Dios te bendiga ;)

Depois do almoço caminhamos até o estádio La Bombonera, do Boca Juniors. A entrada custava 115 pesos e eu (que não entendo bulhufas de futebol e nem sou fã do time) preferi não entrar. Além do estádio em si a área tem ainda um museu e vááááárias lojas onde são vendidos casacos, blusas, chaveiros e tudo o mais que envolve o clube. Depois disso voltamos para casa felizes e contentes e ao descer do ônibus, na Plaza Mayo, demos de cara com apresentações culturais (um show em comemoração aos 25 anos de independência Eslovena) e ficamos por lá congelando, vendo as bandas, as danças e depois fomos caminhando para o hotel. :)


San Telmo, Recoleta & último dia
No domingo, último dia "útil" de viagem, fomos conhecer a famosa feira de San Telmo e minha nossa, fiquei impressionada com o tamanho da feira! Andamos, andamos, andamos e não chegamos ao final da danada! Mais uma vez a localização do hotel nos ajudou e fomos caminhando de lá até o começo da rua onde os comerciantes se concentram. Estava um frio tão grande (oito graus pra mim já é tenso, digo mesmo!) que eu fiquei triste... sério mesmo, me bateu uma bad e eu já tava andando chutando pedra no mêi da rua de tão abusada. 


Ventava muito, a ponto de ver os comerciantes ficarem super irritados com as mercadorias voando! Por lá tem de tudo o que você imaginar, e quando eu digo tudo é de obras de arte até antiquários, roupas, bandas de rock tocando na esquina, sanduíche vegetariano (inclusive comi um, delicioso), chaveiros, roupas de frio, venda de passeios, botões (sim, botões!), coleira de cachorro, incenso, camisetas, cacarecos... enfim, você passa literalmente um turno do seu dia lá sem nem perceber, só vai notar que caminhou muito quando as suas pernas começarem a doer bastante, o que aconteceu comigo. Lá é o lugar perfeito para comprar presentinhos e foi só o que fizemos até que... percebemos que ficamos quase zerados de grana! Eita, e ainda faltava conhecer a Recoleta, e agora?


E aí que dividimos: deixamos uma parte para o jantar e colocamos o restante dos trocados que tínhamos no cartão do busão. Depois de uma sonequinha à tarde (e uns casacos a mais) pegamos o ônibus (Linha 67) para a Recoleta pois Tia Marina queria tirar uma foto na Floralis Generica! HAHAHAH! Então tá, vamo! Não dá pra ver na foto mas estava chovendo um bocadinho e o frio estava deixando as minhas pernas dormentes. Tiramos as fotos, matutamos e seguimos para o Museu Nacional de Bellas Artes, precisávamos de um lugar quentinho urgeeente! :D Achei o museu bem bacana, tem muuuita coisa linda para se ver!

À noite fomos jantar em um restaurante que ficava bem em frente ao hotel. Café com pão com os últimos 33 pesos que sobravam (para cada um) e fomos correndo para tomar banho quentinho no hotel. No outro dia esperamos o táxi (sim, deixamos reservadinhos os 230 pesos para ir até o aeroparque, somos matutos pero no bestas) e fomos para o aeroporto e tudo certo.


Chegamos em Recife numa madrugada abafada e cheios de brebotos na mala. Peguei a estrada só o pito, ainda caí em uns buracos mas chegamos em João Pessoa em paz. Aprendi um bocado nessa viagem e fiquei feliz em saber que tenho na minha família companhias de viagens tão... vivas! Quero mais, quero muito, quero logo novas lembranças, elas tem sido uma salvação para a minha alma.

Coração limpo, tô pronta para a próxima! :) 

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