RAPOSA: Quem não tem lençol vai de fronha :P

08:42


Ir até os lençóis maranhenses me custaria muito tempo e dinheiro, duas coisas que eu tinha pouquinho quando viajei para São Luís pois só passei três dias e um pedaço lá. Mas quando eu já estava triste, abatida e acabrunhada sem poder colocar o pezinho na areia eis que acho uma opção para matar um pouco da vontade: as fronhas maranhenses! Deus sempre olha para os mais sofridos e euzinha, #Coidipobi Corporation Ilimitada, fui logo marcando com o serviço de turismo que fazia o passeio: praia da Raposa! A um custo de R$ 90,00 (transporte te pegando na porta da hospedagem + passeio de barco), a empresa SLZ Turismo (98 98713-3031) opera esse milagre pra você. Super pontuais, organizam tudo por WhatsApp e sem muídos, recomendadíssimo! ;)


Para quem gosta de viajar em excursão e fazer amizades (coisa que eu não estava nem um tico afim) é maravilhoso. Mas aí lá vem o momento gótica: viajar é quase como ler, assistir filme, estar numa palestra ou vendo um show que gosto e me irrita muito saber que tem algo/alguém tirando a minha concentração. Gosto de ficar na janela do avião, carro, van, busão ou o que seja, contanto que eu esteja em silêncio. Se tiver alguém legal-íntimo para comentar algo, ok, vou falar como uma matraca. Caso não, acho super invasivo puxar conversa com desconhecidos e realmente não me interessa dividir aquilo tudo com alguém que depois nem vou lembrar o nome. Levo muito a sério essa história de criar memórias e lembranças dos lugares e se tem algo que me irrita é fazer isso com contatos superficiais. Um saco.

Adoro ficar imaginando as vidas que existem nos prédios, ruas, casas, praças e não curto quando esse processo sofre interferência. Além disso eu queria muito silêncio e nessa viagem, mais do que nunca! E confesso que essa parte me irritou um pouquinho, pois a van estava cheia (e devo dizer: de gente muito animada e alto astral) mas eu estava naquela de "a solidão me fez rockeira e quero ser bem triste aqui", então nem interagi com a galera.


Mas enfim, até o povoado-praia Raposa são aproximadamente 32km partindo de São Luís. Antes de chegar ao destino o motorista fez uma parada em São José de Ribamar, uma cidade bem simpática e que aos domingos tem uma tradição: uma fila enoooorme de carros se forma na lateral da igreja principal pois quem compra carro novo só considera que o veículo está "seguro" depois da bênção do padre. E aí tem fitinhas pra vender, muitos artigos religiosos, bem curioso mesmo.


Depois disso seguimos para Raposa, mas antes a van passa na Vila de Pescadores de lá e dá uma paradinha para que possamos visitar as lojinhas improvisadas que funcionam na casa dos moradores. É lá que eles vendem a famosa renda de bilros. Desci e fui conversar com dona Cléa Maria e fiquei bestinha com o que era vendido. As peças produzidas por ela, que custavam de R$ 5,00 até R$ 1 mil (o caso de uma toalha que leva até oito meses para ficar pronta!), são super coloridas e ela tem um jeito desenrolado e corajoso de ser que você nota logo de cara!


Cidade simples, comida sem frescura, calor aos montes e um clima de calmaria. Não demoramos muito lá e seguimos para o barco que levou a turma inteira para o passeio no mar. Tem uma parte que é bem rasa e pudemos mergulhar, ficar enrugando na água e bebendo cerveja: foi a hora que mais gostei! A correnteza é forte e ficar andando no sentido contrário a ela faz uma massagem tão gostosa no corpo que eu relaxei. Você chega a sentir as carnes da perna tremendo com o fluxo da água, é maravilhoso!


Daí então fomos para as fronhas: pequenos montinhos de areia super clara, de um jeito que refletia o sol no rosto e me fez ficar ceguinha. Mesmo com chapéu, muito protetor e blusa de manga longa cheguei em casa toda queimada. Em relação à praia, hum... é bonita mas não me comoveu muito. Por ser bem isolada me deu uma agonia, uma imensidão amarronzada que não encheu meus olhos. Nessa hora eu percebi que eu realmente tenho preferido passeios no meio do mato. Hoje, pois a minha adolescência inteira passei com uma paixonite pelo mar e nesse momento... sei lá, senti que isso mudou.


Então é isso, a dica é ir toda empacotada (apesar do calor), usar muito protetor, em relação à bebida pode ficar de boa pois no barco eles oferecem o serviço (pago, obviamente) e é bem seguro. O passeio completo dura em média seis horas e meia, chegar lá é super tranquilo e não parece nem de longe com a viagem que eu fiz para Alcântara, então não tem nem perigo de enjoar e ver a vida passando diante dos olhos, tá? Vai na fé! ;)

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