Karaokê, saudade e reencontro(s)

21:44


Eu não estava indo apresentar um trabalho no Intercom (o que foi muito bom!), eu entrei no avião com a sensação de que eu estava indo abraçar uma pessoa que estava me matando de saudade... Era São Paulo! :) Nem discuto essa coisa de preconceito com paraibanos, solidão, "não existe amor em SP" ou "a galera lá é muito fria"... Sério mesmo, minha relação com a cidade é bem egoísta, é como se fosse um encontro só eu e ela, me sinto super à vontade e pronto. Sem problematizar muito faço das minhas viagens até lá as melhores que já tive na vida.


Eu gosto de lá por ser um lugar que te ensina as coisas com a brutalidade inconsciente de alguém que quer te ver bem mas ao mesmo tempo não quer se preocupar contigo. Se você parar no meio do metrô alguém esbarra, te empurra, pede licença ou te chama de idiota. É uma cidade onde a inércia é crime, ficar em letargia é proibido e quem nada faz, nada vira, morre na invisibilidade que já existe mesmo que você se esforce um bocado para ser visto. É preciso mover-se o tempo todo, andar rápido, estar fazendo algo ou então alguém te engole. Sou um pouco assim e me dou bem com isso: tudo o que é devagar demais me dá tédio e só tenho paciência para a minha própria agonia.


Logo no primeiro dia (07 de setembro, feriado) uma correria danada: eu e João Henrique saímos de Recife cedinho, pegamos o avião até Guarulhos e num galope só fomos naquela de pegar o busão até Congonhas para só então chegar no hostel, jogar as malas lá e pegar metrô e táxi para chegar na USP e apresentar o nosso artigo. Sacou aí o tanto que andamos num dia só, né? Mas de 14h, pontualmente, estávamos sentadinhos na sala. Super orgulhosos e com a apresentação tinindo (e que foi bem elogiada, cof, cof! Hehehe), saímos de lá com uma alegria imensa. Conseguimos!


#HOSPEDAGEM 
Ficamos no Lobo Urban Stay, um hostel que fica na rua Haddock Lobo, bem pertinho da Avenida Paulista, com uma vizinhança legal (Starbucks na esquina, Oscar Freire bem em cima e o Paris 6 bem pertinho - não fui! Hahaha). Tudo isso com um preço justo (R$240,00 por quatro noites). Rapaz, deu mais que certo!


Gostei pois esse hostel tem um lugar confortável e decente para quem viaja e precisa trabalhar. Internet funcionando direitinho, banheiro e quarto limpinhos, decoração impecável e de quebra um gatinho gordo que deixa a energia do lugar ainda melhor.


Sério, me senti tão em casa mas tão em casa que teve uma noite que eu e João rinchamos tando de rir lembrando das peripécias do dia que o dono precisou dar um se ligue na gente, fomos bem #coidipobi mesmo.


O quarto que ficamos era compartilhado com oito pessoas e sim, tinha gente que roncava, tinha gente que entrava no banheiro exatamente na hora que estávamos preparadíssimos para usar também, tinha gente que pendurava caçolas ao lado da cama, tinha gente que não conseguia pisar devagar no chão de madeira e fazia um barulho danado (essa pessoa aí era eu) e teve gente que viu alma (esse foi João Henrique), ou seja: um hostel normal com histórias de hostel e ponto final.  No drama!


Rolou de esquecer o xampu e lavar o cabelo de sabonete para só depois perceber que eles davam um xampu cheirosinho, fuén. Para resumir: o lugar super vale a hospedagem! Inclusive para quem quiser, eles tem um anexo que funciona como café e restaurante. a maior fofura!


#AUGUSTA
Todas as noites fomos lá. Sério, eu gosto tanto desse lugar, minha gente... chegou, sentou, pediu uma cerveja, gargalhou até cansar, vai pra boate, dança horrores e sua invisibilidade tá ali, intacta. Não importa a roupa, quanto você tem no bolso e nem nada! É só chegar e soltar a galinácea que existe em você... e em mim, e em todos! Hahaha! :D

Em uma das noites fomos para uma festa chamada Gleeter, lá no Beco-203. Já dá pra notar que uma festa com esse nome não tem como dar errado, né? Fui logo procurando onde eu ia tacar glitter na cara e fui que fui, totalmente brilhosa!


Também curto muito andar lá de dia mesmo. Tem várias lojinhas bonitinhas, antiquários, bares, restaurantes, galerias... uma infinidade de coisas pra ver! Meu lugar predileto, de longe! Um lugar que eu ainda não tinha visitado era o Espaço Fábrica Augusta (onde tirei essa foto aí em cima e essa abaixo). Você entra pra ver uma loja e quando vê está num bar, é bem massa.


Tem também uma loja lá que é muito massa, a Endossa, com uma pegada totalmente colaborativa. Um monte de coisa moderninha, de roupa até caneca, óculos, enfim... dá pra passar um bom tempo vendo brebotos por lá.


Também é lá na Augusta que fica o paraíso das pizzas, em especial as vegetarianas: O Pedaço da Pizza, que inclusive já ganhou várias indicações da Revista Veja e tal. O fato é que o lugar realmente merece a visita.


Com preços médios de R$ 13 por fatia, o lugar é um dos meus preferidos na Augusta. Sério, almocei e jantei lá umas três vezes (se não me engano) só dessa vez que eu fui. Além de ter um gostinho "afetivo" (é que quando eu viajei com minha irmã pra lá, comíamos juntas aí), eles são super criativos ao misturar sabores. Com uma cerveja geladinha é só alegria!


#KARAOKÊ
Nessa noite eu tive certeza que rolou um mundo paralelo, não tem condições. Entrou para o Top Five Tosqueiras da Sally! Simplesmente em um minuto estávamos em uma das esquinas da Augusta e ao fechar e abrir os meus olhinhos, me dei conta que estava dentro de um táxi com três pessoas que eu adoro: Cláudia (minha amiga de infância), Daniel (meu amigo de profissão) e João (meu companheiro de viagem). Até aí tudo lindo, tudo muito bonito, só estar ao lado dele bastava... mas tinha mais, segura a onda aí!

Quando penso que não, desço num Karaokê na Praça Roosevelt. Simplesmente o lugar nas antigas funcionava como um cabaré e eu já cheguei gaitando e falando pra o porteiro que eu ia mostrar meu talento. Menti? Jamais! Garrêi o microfone, subi no palco com dois desconhecidos e dei meu show, confere aí:


Pitoresco, pra dizer o básico! Estou descobrindo o nome do lugar agora enquanto escrevo esse texto (ao reler as anotações que fiz no meu bloquinho, não ando sem ele): trata-se da Arte da Pizza. As paredes todas de cor carmim, espelho no teto, funcionários super caricatos e um karaokê onde eu soltei a franga e tive a conversa mais viajosa que eu tive na vida. Me arrependo até agora de não ter levado a câmera pra lá e ter feito um vídeo, um documentário, uma sessão maluca pois minha gente, quanta história e quanta gente com vida!

O melhor da noite? Minutos antes de dar a Elza num brócolis da pizza que estava no balcão (desculpa, Deus!) eu "entrevistei" Tauany da Silva Sauro (o alter ego de um dos funcionários de lá!). Ele/ela não quis dizer o nome de verdade mas batemos muitos papos e à certa altura eu perguntei o que ela achava do lugar. Tô vendo aqui a resposta rabiscada no meu bloquinho e diz mais ou menos assim: "Aqui é um portal, as pessoas se sentem em outro estado de consciência", aí pergunto pra ela qual foi a coisa mais absurda que ela já viu por lá, ao que me responde: "uma pessoa triste". Antes de sair eu fiquei curiosa para saber o que ela achava do trabalho e sorrindo ela me respondeu que "eu não me trabalho, eu me divirto". :) Que noite mágica, sério! Hahaha!

#WICKED 
Chorei, chorei, chorei e saí de lá com a alma leve! Quem indicou a compra do ingresso foi João Henrique, eu não fazia ideia do quanto assistir a esse musical ia mudar o meu humor. De verdade, é lindo. Fala de amizade, amor e superação de um jeito que te arranca risadas e depois te faz refletir. Inspirador!


Compramos a entrada para a parte da frente do palco pois queríamos ver tudo bem de perto mesmo... mas eu não imaginava que seria tanto: ficamos na primeira fila! Assim que eu sentei fiquei pensando que ia ser horrível e não ia ver nada mas ainda bem que me enganei bonito. Ficar bem pertinho da orquestra e ver o brilho nos olhos do elenco foi uma experiência incrível. Para quem quiser, tem um pedacinho aqui. Assistam, é lindo! :D Uma das músicas mais bonitas? "Pelo bem ou pelo mal, não importa [...] por sua causa tudo mudou em mim". Amei, amei, amei! Duas horas e meia e você não cansa. ;)

#IBIRAPUERA
Tínhamos pouco tempo na cidade e a consciência de que não rolava de engolir o mundo em pouco mais de quatro dias. Fizemos os passeios clássicos, inclusive um deles que eu já fiz três vezes e me emociono igual... a visita ao Museu Afro Brasil, que fica dentro do Parque Ibirapuera. Não sei explicar direito mas toda vez que eu vejo aquela réplica do navio negreiro, releio os textos que contam como era a vida (se é que podemos chamar assim) dos escravos, putz, me dá um treco... Não sei, é uma sensação que me dói mas que eu sinto que preciso ir lá e lembrar de algo.


#MERCADÃO 
Depois de dar aquela passada sufrida na 25 de março depois de descer na Estação São Bento, hora de atolar o bucho nas comidas do Mercadão! Pastel de queijo, cerveja, conversar besteira, provar um montão de fruta e dizer que "volto já" e desaparecer, sentir o cheiro de temperos, ficar ouvindo o zumbido de muita gente conversando e enfim, voltei sã e salva com as muambas intactas.


#TCHAU
Quatro dias em São Paulo parecem uma vida inteira. Ainda teve ataque de jogador de Pokémon, muita corrida de Uber, Red Velvet até dar uma dor, caminhadas na Paulista, um quase assalto, compras na Galeria do Rock, jantar delicioso no La Guapa, presente lindo que recebi de Cláudia e uma voltinha na Liberdade. Eu e João estamos super pensativos e tentando descobrir como os nossos "eus" do futuro vão lidar com essa viagem, hahahaha! E que venha a próxima! :)


Texto escrito com o coração cheio de saudade e muito da sensação que eu tive lá... é que apesar das gaitadas, babados and mouth of confusion, eu estava super pensativa, grata e sem acreditar em tudo o que estou vivendo. Perdi as contas das vezes que estava andando no metrô, na rua e conversando sozinha com Deus, agradecendo por cada centelha de saúde, alegria e fé que moram em mim.

Tchauzinho com essa música linda aqui embalando a madrugada.
Até breve! :)

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10 comentários

  1. Eu adoro ver tuas viagens, como tu as vive e como tu passa a ideia de que todos os lugares são incríveis. Eu li esse texto ainda mais feliz porque (quase) tudo isso eu também fiz na minha ida semana passada a essa cidade incrível que já amo e morro de saudades chamada São Paulo. E a sensação que tive é essa mesma, de que a vida não para e as pessoas sabem aproveitar bem isso. Nunca voltei tão bem de uma viagem, renovada com a brasilidade e seus encantos.
    Que ótimo que te fez super bem, Bruxilda! Vai que vai que o mundo é teu! >_<

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    1. Own, Laís... é muito bom poder contar as besteiras, roubadas e coisas boas... e o pior/melhor, saber que tem gente que me acompanha nessa. De verdade, eu fico feliz demais! HAHAHA Beijo, Bruxilda!

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  2. Gente ameiii, juro que me senti curtindo São Paulo com vocês, descreveu tão bem que viajei junto na memória, ameiii.

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    1. Own, Eryk! Coisa boa, espero que possamos ter uma oportunidade dessas para apresentar artigos no próximo Intercom, que tal? :D

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  3. Aiii Lígia... Tu arrasa onde vai, acho que precisamos é ir pra Sampa viu kkkk fiquei de água na boca mulher... Amei tudo...

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  4. Aiii Lígia... Tu arrasa onde vai, acho que precisamos é ir pra Sampa viu kkkk fiquei de água na boca mulher... Amei tudo...

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  5. Muliiier nem me falasse que já tinha postado! Já pode repetir a dose? Precisamos juntar dinheiro :(

    Ps. Senti falta de Pokémon go no texto kkkk

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    1. HAHAHA! Gente do céu, SURRA DE POKÉMON! <3 Ansiosa pela próxima!

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  6. SP é sagrada e a Pedaço de Pizza é a Ostia.

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