Copacabana: passeio de barco para chegar na Isla del Sol

20:19

Pedra do Puma - parte Norte da Isla del Sol :) 
Chegar até o Lago Titicaca e visitar a Isla del Sol: esses eram os primeiros objetivos ao chegar na Bolívia e para isso eu precisava estar na cidade de Copacabana, que é o ponto de partida para essa saga. Mas como? Simples, cruzando o país viajando 980 quilômetros em quase 24 horas de busão (eu estou contando isso a Deus & o mundo pois me achei a aventureira, tá? Hahaha!). Saí de Santa Cruz de La Sierra (cidade onde desembarquei) de manhã e fiz o trajeto com a La Preferida, comprando o ticket com muita antecedência nesse site aqui.

Lhamas por todos os lados, simpatia para lado algum :P
A viagem toda (parou em muitas cidades, inclusive em Cochabamba) ficou por R$ 60. Muito barato! O ônibus que deveria chegar em La Paz às 3h da madrugada atrasou coisa pouquiiiiinha e chegou às 7h30 da manhã. Pensei comigo: ótimo, é bom que já fica pertinho de pegar o outro busão às 8h, confere? Errado. Entenda aí a lógica boliviana!

Copacabana vista do Cerro El Calvario
Quando cheguei no terminal correndo-suada às 7h43 e fui toda contente tomar assento, super ansiosa pra ver o Lake Titikêike... "O ônibus já saiu!" - Whaaaaat, quirida? Era para sair às 8h, não? "Si, pero cuando hay toda la gente sale temprano" - ou seja, juntou gente suficiente pra o ônibus sair? Ele vai sair sem tu! Foi aí que tive que esperar outra flota (é assim que eles chamam os ônibus de viagem) que só saia às 14h. E já sabe, né? "É bom chegar adiantada pois a flota sai mais cedo. Esteja aqui de uma e meia, meio dia", sacou? Duas horas antes eu estava com as bilas fixas no guichê.

Na Bolívia esteja consciente: atrasos nos ônibus são normais, passagens são vendidas aos gritos nos corredores das rodoviárias (não esquecer de pagar a taxa por uso do terminal ou então a galera te manda descer do busão. Custa três pesos!), vendedores irão entrar no ônibus o tempo todo e nem sempre terá ar condicionado mas tudo vai ser recompensando quando, depois de muito brigar para sentar na janela, você parar para observar a paisagem. Se dê esse presente de ver água passando pelas pedras, muito verde, muita natureza, muita paz. Foi bem cena de filme mesmo: coloquei os fones no ouvido, encostei minha cabeça na janela e fiquei rindo sozinha, toda besta!

Eu crente que faltava pouco pra chegar em Copacabana
Eu comecei a tremer e ficar eufórica quando depois de hooooras de viagem comecei a ver o Lago Titicaca e pensei comigo que "claro que está perto de chegar à Copacabana"! E lá vem mais um ensinamento na Bolívia: paciência! Parte do trajeto para chegar até lá envolve uma travessia (foi onde tirei a foto acima)! Mas é bem simples, você paga uma taxa de dois pesos, entra num barco e já vai aproveitando o visual. O barco é apertadinho mas como a viagem é rápida, não rola de enjoar nem nada, é tranquilo! Você vai junto com os demais passageiros e o ônibus segue em uma balsa. :)

Barquinho usado na travessia :)
Passei três dias em Copacabana e fiquei hospedada no Hostal Brisas de Titicaca (quarto individual e ficou por R$ 114,00) e desde já aviso: apesar de ser muito bom, legal, super perto das agências de viagem e de frente para o Lago Titicaca, eu teria ficado em outro local. É que a cidade de Copacabana é muito (muuuuuito!) turística e o que não faltam são opções (divertidas, caricatas, tradicionais, baratas) para se hospedar. Então não precisa de desespero, de verdade! A menos que você esteja viajando em alta temporada, recomendo que você simplesmente desça na cidade e caminhe escolhendo o hostel que mais tem a sua cara. :)

Street food sempre ;)
Não precisa ir com esse medo-turista que dá dor de barriga em tanta gente (inclusive em mim). Relaxe! A cidade super tem estrutura para te receber (de hotel a ônibus e caixas eletrônicos) e você definitivamente não vai ficar sem teto! Depois de deixar a mochila no hostel fui dar uma volta na cidade e achei super seguro! Jantei o "prato feito" deles (arroz, verdura, ovo = oito pesos) e no outro dia acordei cedinho e o abestalhamento maior foi quando eu vi esta placa aqui:

Quase morro de alegria quando vi essa placa!
Meu Jeová, eu consegui! Eu cheguei no Lago Titicaca, meus olhos viram essa maravilha, minhas mãos tocaram essa água geladinha e o melhor, eu ia fazer o passeio que eu passei um tempão na ansiedade...

ISLA DEL SOL: LIMPEI A VISTA! :)                                                
Não tem mistério nem dificuldade para comprar o passeio até a Isla del Sol. Todos os dias (em absolutamente todos!) saem passeios a partir das 8h30 da manhã (horário local) para a ilha. Geralmente o retorno é às 17h00. Você não terá a menor dificuldade em conseguir um desses passeios, é só sair do hotel com essa sua carinha de turista e o pessoal vai te abordar e pêi-pum, paga 30 pesos e vaitimbora para o pier pegar a tua "condução".

É daqui que saem os barcos para a Isla del Sol :D
O passeio de barco até a Isla del Sol dura em média duas horas e meia. Dica importantíssima: não vá na parte de baixo do barco! As chances de você ter uma bilôra e vomitar são imensas! Apesar de fazer um frio danado eu fui na parte de cima e além da paisagem ser incrível (o Lago Titicaca não cabe nos olhos! É lindo, lindo, lindo), a sensação de bem estar é indescritível. Fiquei parecendo aqueles cachorrinhos que ficam na janela do carro passeando e curtindo o super vento no rosto... encantada!

Vento e uma sensação de paz incrível!
A Isla del Sol é dividida em duas partes: norte e sul. Na parte Norte (essa das fotos abaixo) você precisa pagar uma taxa de 15 pesos para entrar e faz uma caminhada beeeem extensa enfrentando os mais de quatro mil metros de altitude. Mas compensa... e compensa muito! É clichê, eu sei, mas o lugar é verdadeiramente mágico!

Vendedora de artesanías na parte Norte da ilha
Logo que eu desci do barco conversei com duas argentinas (Ivana e Erika) que foram uns amores e me ajudaram durante o passeio. Erika estava fazendo aniversário e eu achei muito generoso da parte dela me deixar participar de um dia tão especial, de poder comemorar ali mesmo conversando e rindo das coisas do passeio. Foram duas presenças muito boas! Logo ao chegar são oferecidos serviços de guia (em média 60 pesos) e eu fui logo me juntando com as meninas para dividir os custos #malandramente.

O mesmo atrai o mesmo :)
Achei uma graça pois na maior parte do caminho um cachorrinho super fofo acompanhou a gente. Um anjinho, eu estava tão contente de ter tanta energia boa do meu lado!

Um anjo que acompanhou o nosso trajeto!

Várias vezes ouvimos o guia citar que existiam altares (pedras) onde aconteciam sacrifícios de humanos (em algumas partes da ilha se sacrificavam mulheres virgens) e animais. Nessa parte aí me deu um negócio ruim.

Respirando tranquilamente em quatro mil metros de altitude
Apesar de o guia ter sido um fofo, super prestativo, quem quiser economizar pode fazer o passeio sozinho e sem medo: a caminhada na ilha é super intuitiva e pode ser feita tranquilamente, no seu tempo, sem riscos de se perder. Logo que você sai do barco recebe a informação de que horário o condutor vai partir para a região Sul da ilha. É só ficar ligado no horário e tudo certo! :D


Presta atenção no que está escrito no chapéu, tá? ;)
Não precisa se preocupar com lanches (em especial se você for vegetariano!). Na parte Norte eles vendem uns sanduíches maravilhosos que custam 10 pesos e vão te dar energia suficiente para subir as ladeiras todas! Apesar de fazer frio, o sol é intenso e eu aconselho usar um lenço na cabeça. De verdade! Eu não fiz isso e até hoje meu couro cabeludo está despelando. Óculos de sol, protetor e água são itens indispensáveis. Leva uma banha de cacau básica também pois os lábios ficam só a misericórdia!

Fuerza! Nunca fez tanto sentido! #)
Ao visitar parte Sul da ilha (ao desembarcar você paga uma taxa de 5 pesos), percebi o quanto tem hostel naquele local! Eu deveria ter dormido lá, de verdade... a noite lá deve ser incrível! Então se você tá indo, super recomendo ficar de boresta e sentindo a energia do lugar! :D Logo na entrada da ilha estava escrito em um dos portais a seguinte frase: ama sua, ama lulla, ama quella (se você notar é o que está escrito no chapéu do guia na foto mais acima!). Algumas traduções/significados são conflitantes mas o que tinha escrito lá basicamente significava "não seja ladrão, não seja mentiroso, não seja frouxo", princípios básicos do comportamento e da cultura Inca.


Sendo vândala e arrancando uma flor da parte Sul da ilha
Incrível ter entrado em contato com o significado disso tudo pois era justamente nessas esferas de comportamento que eu estava pensando antes de fazer essa viagem. Ser valente, não mentir-omitir nada para as pessoas e ter apenas o que é meu por direito e em paz: casou bonito! ;)

Moradores aguardando o barco para voltar à Copacabana
Nunca vou (assim espero) esquecer da sensação maravilhosa que foi voltar desse passeio. Depois de muito cansada subi no barco, me deitei e passei o caminho inteiro dormindo sentindo a mistura deliciosa de vento gelado assanhando meu cabelo e sol deixando meu corpo quentinho... foi uma das cochiladas mais gostosas da minha vida!

CERRO EL CALVARIO
Esse é um ponto turístico que dá pra ir a pé (humrum, caminhando bem de boas!), do hotel até lá. Nesse dia acordei cedo e fazia um frio danado. Estava chovendo, eu tinha medo de caminhar sozinha pelo mato e o vento nas montanhas fazia um barulho que me deixou assustada. Mesmo assim lá fui eu encarar a subida... e ainda bem!

Vento gelaaaaaado! :D
A vista desse lugar é incrível e a imagem ficou ainda mais impressionante quando o céu se preparou pra chover e do lado direito do meu campo de visão ficou tudo escuro e do lado esquerdo dava pra ver a cidade de Copacabana iluminada pelo sol. Antes disso eu fiz um vídeo com uma qualidade cafuçu, é verdade, mas quis deixá-lo guardadinho aqui pois significou muito pra mim. Ele me faz lembrar com mais nitidez do que eu sentia nesse exato momento do passeio.



ONDE EU COMI
Prepare a barriga! Em Copacabana há muuuuuuuuuuuuitas opções de restaurantes. Vegetarianos, japoneses, tailandeses e comidas de rua não faltam! Eu provei o que eu podia: pão, pipoca, chá, café, chá de coca, o "PF" de lá, sopa, iogurte (que de tão fria que é a cidade, esses produtos ficam expostos em prateleiras e não em geladeira!), bolo e cerveja! 


Pipocas são vendidas em sacos enormes! 
O restaurante Totora é bem legal, e tem um terraço (bora ser honesto, é uma laje) bem bacana que dá pra ficar lá curtindo a brisa do Lago Titicaca e tomando uma Paceña bem geladinha (apesar do frio!). Foi exatamente o que eu fiz. Uma massa vegetariana (35 pesos) e a cerveja (25 pesos) me deixaram alegrona. Estava jantando sozinha, com o coração cheio de gratidão, olhando para uma imensidão de água. Sem ofender ninguém,  em paz com tudo e com uma satisfação danada de estar realizando mais um sonho... humrum, estava com uma cara de "ai, que orgulhosa da minha iniciativa!", hahah! Mágico! ;)


Janta e cerveja Paceña para celebrar! :D
Se quiser provar chá de coca recomendo ir direto para o Mercado Público de Copacabana. A caneca vai te custar 2,50 pesos bolivianos. Mas se você quer uma coisa mais fancy, a dica é visitar o Pan America's (que fica na praça central, bem perto da igreja principal da cidade). Tem uns doces deliciosos e foi lá que eu comi o bolo de banana (6 pesos) mais delicioso de toda a minha vida! Também reforcei a tomadinha de chá de coca (lá custa 7 pesos). Os donos do lugar são bem engraçados, vieram dos Estados Unidos, tem bochechas rosadinhas, vivem na Bolívia há cinco anos e fazem aulas de música pois querem tocar na igreja de lá - sou fofoqueira e pergunto mesmo.

Coca, bolo e descanso no Pan America's :)
Outro lugar que eu adorei foi o Taipi Uta. É bem animado e tem um astral muito bom! Também fica às margens do Titicaca e a dica é ir pra lá umas 16h30 para as 17h, pois é a hora que começam a voltar os barcos lotados de turistas que foram até a Isla del Sol. Eu adorei ficar por lá depois de caminhar o dia inteiro. Fiquei vendo o movimento, vendo as pessoas, imaginando como seriam as vidas delas... adoro viajar nessas coisas! Para acompanhar, pedi nachos (35 pesos) e uma Pacenã (25 pesos).


Sol dando "tchau" no restaurante Taipi Uta

DICA BÁSICA: PLANEJAR PODE SER RUIM :)
Eu já citei aqui que para viajar na Bolívia você precisa ter paciência e esquecer do tempo. E o que eu recomendaria é: não seja noiada como eu e nem fique comprando passagens com antecedência e tentando estabelecer um roteiro "certinho".  Apenas vá, não estabeleça que "tal dia estarei em tal cidade" pois eu tentei fazer isso e por experiência própria, vai ser bem mais complicado e trabalhoso do que simplesmente viajar pra lá e ir montando o trajeto "na doida". Vá por mim!

Horas e horas sentada nesses píers pensando na vida :)
É claro que é bom ter uma ideia de locais que quer conhecer e lugares que podem te hospedar mas sinta como o país funciona e vá se adaptando ao tempo dele. Exemplo: eu queria conhecer o lago Titicaca (Copacabana) e o Cerro Chacaltaya (La Paz): pronto, ao invés de planejar datas para chegar em uma e outra cidade, o que eu deveria ter feito era chegado e depois de entender as coisas lá, ir seguindo o ritmo dos ônibus, das cidades e não ter estabelecido isso aqui, da minha casa, sem ter a mínima ideia de como funcionam as coisas lá, entende?

O caderninho das viagens ficou completo :)
De verdade, apesar de ler muito na internet que "Meu Deus, o país é o caos e é muito pobre e não tem a menor estrutura", sim, tem um pouco de verdade... Mas é seguro, encontrar hospedagem e transporte é a coisa mais fácil do mundo (pode não ser dentro do "padrão turismo" que você conhece ou quer) e tem o plus de ser super barato. No drama! Apenas saiba onde quer chegar estando lá consiga o seu melhor jeito de fazer isso!

FOI MASSA! :) 
Essa ida à Copacabana aconteceu num período em que eu estava celebrando a conquista de viver exatamente a vida que eu idealizei pra mim. Honesta no sentir com os outros, em harmonia com meus amigos e família, trabalhando no que eu amo, de consciência limpa e com uma coragem que venho fazendo questão de me impor. Essa tuia de planetas alinhados assim merecia ser celebrada mas não sem antes ter uma crise de ansiedade, uó.

A Bolívia serviu para aliviar isso e especialmente para me dar um "se ligue" no quanto eu estava colocando dificuldades e inventando problemas para a vida. E quanto a "estar sozinha" na viagem... em nenhum momento me senti assim. Primeiro pois WhatsApp existe (hahaha) e eu conversava com minhas irmãs o tempo todo. Além disso, rezava muito e sempre e sentia bons espíritos do meu lado, me protegendo e guiando... eu apenas acredito nisso e ter essa sensação me fortalece um bocado! :)

...spirits in my head and they won't go (The Strumbellas - Spirits)

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2 comentários

  1. Dá vontade de ir só pelo teu blog post. Tu inspira mto, po!

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