De busão: viagem de Santa Cruz de La Sierra à Copacabana

18:43


Mulheres que empilham tijolos com a ajuda dos maridos, carregam filhos nas costas, cuidam da terra, são vaidosas e bonitas do jeito delas, andam quilômetros para vender artesanato, frutas, pão, flores. Sentam no chão, dão risada com dentes metálicos, conversam e de vez em quando colocam as mãos na frente da boca, como quem sente vergonha. Algumas eram as representações mais caricatas das cholitas, com bochechas rosadas e chapéus, saias brilhosas e ponchos coloridos e quase todas carregavam algo que eu quis trazer para dentro de mim: pares de olhos sábios, fortes, obstinados e que me ensinaram muito!


A Bolívia é um país que vem lutando para diminuir a pobreza, eu viajei sabendo disso. Mas não sabia que a miséria maior era a visão rasa que eu levava em mim ao entrar no avião sabendo de lá apenas o que havia lido na internet. Essa viagem foi ótima para silenciar muito, observar e sentir a minha presença e ao mesmo tempo falar um bocado e tentar aprender o máximo que eu pudesse em espanhol (e ter palavras novas para colocar no meu vocabulário). Me ensinou muito sobre ter resignação como postura para sobrevivência. Foi o que eu mais vi nessas pessoas, uma calma que era impossível de ser confundia com mero costume diante das dificuldades.


Esqueça o tempo, a ordem e a lógica. A Bolívia me ensinou o que a vida há tempos tentava e eu, toda esnobe, acreditava que poderia escapar: eu não tenho controle de tudo o que acontece na minha vida. Ônibus vão atrasar (quatro horas e meia), ônibus vão partir sem mim se eu não estiver no terminal com muita antecedência, os banheiros são sujos mesmo e se eu estiver incomodada, que procure outro ao invés de budejar. E quanto a reclamar, eles só irão olhar para a sua cara com um semblante de quem simplesmente não entende o motivo de tanto barulho por uma razão tão pequena. De fato, eles tem dores muito maiores e são bem menos dramáticos que você, vá por mim.

SANTA CRUZ DE LA SIERRA: CHEGOU, PARTIU! :)
Foi o ponto de partida e o ponto de despedida da viagem que teve como roteiro: Santa Cruz - Copacabana - La Paz - Santa Cruz. Foi chão, viu? E tudo de ônibus (comprei as passagens por esse site e funcionou certinho, mas recomendo ir na doida e nos próximos posts explico a razão)! Encontrei a passagem de avião até La Paz pela Gol por pouco mais de R$ 1,3 mil saindo de João Pessoa (PB). Foi num período muito bom (06 a 15 de outubro) pois eu estava de folga do trabalho.

A partir daí começou a minha agonia para montar o roteiro: eu queria conhecer o máximo que eu pudesse, fazer mil passeios, ver o Salar de Uyuni, a Isla del Sol, as peleas entre as Cholitas, descer na Death Road bem Dora Aventureira maaaas... calma aí, cocada! Na Bolívia, a menos que você faça a maior parte dos trechos de avião ou teletransporte é provável que você "perca" pelo menos uns três dias viajando... e foi o que aconteceu comigo. Para começar o roteiro decidi viajar mais de 980km de ônibus (partindo de Santa Cruz) até a cidade de Copacabana pois ou eu via o Lago Titicaca ou eu tinha uma bilôra. E aí começa a saga!


Desembarquei em Santa Cruz de La Sierra no aeroporto que eu amo dizer o nome (Viru-Viru) e paguei o total de 70 pesos ao taxista para ir direto para a hospedagem que reservei pelo Airbnb. Não havia trocado o dinheiro, levei pouco mais de R$ 1.300 (para toda a viagem!) e para testar, fiz um saque no caixa eletrônico do aeroporto: rolou tranquilo, ótimo! Só passei a tarde e a noite na hospedagem e no outro dia cedinho fui pegar o busão para Copacabana.

Importante citar: essa acomodação que fiquei foi a mais caricata dos últimos tempos! Era uma pizzaria! Para chegar no quarto eu passava por uma garagem com um monte de caixa de papelão empilhada. Galera não entendeu muito bem a proposta do Airbnb e alugou o quarto de um dormitório que ficava na parte superior do estabelecimento. Em parte achei bom pois jantei por lá mesmo e era bem barato... mas foi só. O lugar é limpo, cama fofinha, banheiro com água quente e localização é boa e tudo o mais, a bronca é que não rolou aquela de conversar com os anfitriões e tal. Enfim, não me emocionou.


Confesso que não achei algo muuuuito turístico na cidade. Basicamente ao chegar eu caminhei pela Praça 24 de Septiembre, pois é lá onde tem a maior parte das casas de câmbio. Achei bem esquisito pois eles não pedem documento e trocam o dinheiro bem "de bolo" mesmo mas se era o que tinha, lá fui eu. Depois disso fui na Basílica Menor de San Lorenzo (paga 3 Bob) e como fazia um calor bem punk, experimentei um sorvete bem gostosinho na Nice Cream, que literalmente faz o sorvete na hora! Depois disso peguei um táxi (coisa de 15 pesos) e voltei para a hospedagem para organizar as coisas e #PartiuCopacabana!


#DICA: NÃO COMETAM O MESMO ERRO QUE EU! ;)
Lá em Santa Cruz eu fiz poucos passeios. Além da Praça 24 de Septiembre (que eu visitei assim que cheguei ao país) eu fui no Ventural Mall (a última programação antes de sair do país) e no Hard Rock Café de lá. Foi aquele passeio basicão de cinema + fast food + cerveja. Foi bacana para descobrir o lado mais moderno do país, ver como as pessoas se vestem, como é pacífica (ou ao menos pareceu ser) a relação entre a tradição e a modernidade mas foi muito influenciado pelo meu medo de sair só na cidade e pelos relatos de "Santa Cruz não tem naaaada". Aí pare, pense e não cometa o mesmo erro que eu!

Descobri que tem um lugar muuuito legal que a Ligia do passado deveria ter feito mas vai ficar para a Ligia do futuro fazer (com a ajuda das moedas do cofrinho): o Bioparque Güembé, que "abre los 365 días del año de 8h30 a 18h00". Visitem! É um lugar que parece ser muuuito legal e tem opções de passeio de caiaque, viveiros ecológicos e o Museo de Historia Natural. A entrada custa 100 pesos e se arrependimento matasse eu estaria lascada. De nada, viu? :D

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