La paz: Chacaltaya, Valle de la Luna e um arrependimento

09:55

A técnica fotográfica consiste em: entregar a câmera a desconhecidos! :)
Muito suco de laranja, cheiro de incenso nas ruas, ladeiras e nariz sangrando. O meu primeiro contato com La Paz foi bem rápido, estava de passagem e com destino à Copacabana. Aproveitei enquanto esperava o ônibus para dar uma volta na área central da cidade (é que o terminal de ônibus é perto do centro, cinco minutos a pé) e pronto, me encantei! Tirei essa foto aí em cima na Calle de las Brujas sem saber que estava bem pertinho da hospedagem que eu ia ficar dias depois. :)

É comum encontrar fetos de llamas, amuletos e chás na Calle de las Brujas :)
Aproveitei para dar aquela voltinha de "reconhecimento" na cidade e fiquei besta com essa parte mais turística. Nessa área "das bruxas" o que não faltam são chás, ervas, incensos, fetos de lhamas, amuletos e todo o tipo de artesanato que você imaginar. Os preços são inacreditáveis, muito barato mesmo e acho que essa foi a única viagem que fiz e saí trazendo várias coisas para enfeitar a casa.

Tô muitíssimo amostrada de bolsa nova :P
O comércio lá é muito, muito forte! Sério mesmo, eu já fui na 25 de março em São Paulo e digo com tranquilidade que não se compara com o que eu vi em La Paz. Além disso, comprar roupas "de frio" lá é a melhor coisa do mundo! Casacos de lã (pois é, não como carne mas consumo os produtos aê!) são bem baratos e lindos, comprei dois casacos ao equivalente a R$35 reais (cada) e são super-super quentinhos. As bolsas de couro são lindas, com alguns detalhes feitos à mão. Garanti uma azul modelo ¨saco" e voltei toda feliz, hehehe!

Um dos regalos que comprei por lá, achei fofo! :)
Produtos de limpeza, no entanto, são bem caros... eu vi muitos camelôs só de desodorante, por exemplo. Achei engraçado pois quando lia textos sobre a Bolívia na internet a coisa que eu mais encontrava era "leve seu próprio papel higiênico". Achava que era exagero mas sim, a impressão que eles passam é que esse é um item de luxo. Tanto é que o papel nunca estava dentro dos banheiros, ele quase sempre é entregue na recepção junto com a chave do quarto do hotel e com ares de "segura essa coisa importante que estamos te dando, hein?", hahaha! Claro que em shoppings e restaurantes mais "chiques" a situação é diferente.

Calle de las Brujas - La Paz
Outro costume que notei por lá (na verdade nas três cidades que conheci) é que as pessoas fazem xixi na rua de boas, não existe muita cerimônia quanto a isso. Bateu a vontade, arriou as calças (no caso das cholas, levantam a saia) e tchau! Tanto é que em alguns pontos da cidade são fixados avisos/cartazes alertando que o flagrante gera uma multa (se eu não me engano no valor de 500 pesos!). Na maioria das lojas não tem banheiro (ou não te deixam usar) e a opção é ir nos baños públicos, o problema é que eles são bem sujinhos... é catinga mermo, vá não. Devo confessar que também vi a galera fazendo o number two sem muito drama bem no meio da rua, em especial crianças.

HOSPEDAGEM 
Na volta da primeira parte da viagem e com mais calma, fui conhecer La Paz... que dizer, a parte central. Passei três noites lá e fiz a maior parte dos trajetos a pé e por isso aqui vale a mesma dica que dei para Copacabana. Não se desespere em agendar hospedagem, a menos que esteja acontecendo algum evento grandioso ou seja alta temporada, a coisa mais fácil do mundo é conseguir um lugar para dormir em hostels na área central da cidade.

Plaza San Francisco: quando estava perdida me orientava por ela e tudo certo!
Vi inúmeras opções e uma mais convidativa que a outra! Dica: se hospede na Rua Sagarnaga, é onde tem a maior quantidade de hostels, caixas eletrônicos e agências de viagem. O ponto de referência é a Plaza San Francisco, é lá o "miolinho" da parte mais movimentada, muito bom de ficar. No meu caso fiquei no Hostal Blanquita e foi bem barato (210 pesos por três noites).

CHACALTAYA: O QUE EU MAIS GOSTEI!
Esse era um dos passeios que eu mais estava ansiosa para fazer: Chacaltaya, um pico da Cordilheira dos Andes que fica a mais de cinco mil metros de altitude. Desde que eu visitei o El Morado, no Chile, senti uma coisa diferente, uma conexão, um siricutico e aí pronto, lascou! Tô fissurada em visitar montanhas, lugar com mato e com natureza. E de quebra nesse passeio eu tinha a chance de ver neve, háááá! E vi, uma "tuinha" mas já fiquei bestinha, hahahaha!

Estrada que dá acesso ao Chacaltaya :D
Conseguir o passeio é super fácil! A maioria dos hoteis e hostels já oferecem ele na recepção. Como eu sou hiper ansiosa, comprei logo o pacote antes de viajar (total de 100 pesos) pela empresa Travel Tracks. Recomendo demais, podem comprar sem medo. O guia chegou para me buscar na hora certinha (8h30 da manhã e o retorno foi de 17h) e foi mega atencioso durante toda a viagem. O passeio incluía a ida-volta até o Chacaltaya + o passeio pelo Valle de la Luna. As entradas são pagas por fora!

Nem me pergunte como eu consegui dar um sorriso, eu estava amarela de frio!
Antes de chegar no pico em si vale mais uma vez pegar a briga com quem for para ir na janela da van. Mundiça que sou, mal o cara abria a porta e eu já corria e ficava com a venta pregadíssima no vidro, não tinha pra ninguém. A estrada até lá é linda, de verdade. O vento vai ficando mais e mais gelado à medida que vamos subindo e em um dos trechos eles param para que possamos tirar fotos da paisagem, em especial de algumas lagunas que tem cores diferentes dependendo da hora do dia. É massa! 

Nesse momento eu ainda estava crente que poderia subir sem sofrer
Esse foi o passeio que eu menos tirei foto por um motivo muito simples: eu não sentia meus dedos! A previsão para o dia era de cinco a menos cinco graus... bom! Eu estava com uma meia calça grossa, uma legging, quatro casacos, um lenço e um par de luvas bem singelo e ainda assim estava congelando! Quando olhei a distância que era para chegar até o topo pensei que "beleza, de boas" mas o vento é muito forte e foi nesse local que eu entendi o que era a tal da altitude. Dois passos e parava para puxar o ar pela boca (resecadíssima!) e simbora! 

O lugar antigamente funcionava como uma estação de esqui :)
Eu caminhava e dava dez passos e a sensação era a de que eu havia corrido por quilômetros mas quando olhava para trás: fuén, quase não tinha saído do canto! Mas também, meu amigo... depois que eu cheguei lá em cima eu era a turista-tabacuda mais feliz do universo e pulava que só uma guariba, hahaha! 

Consegui, consegui, consegui! 
Estava lendo aqui que o Chacaltaya é considerado a mais alta estação de esqui do mundo. Por causa do aquecimento global o gelo foi sumindo até a desativação do local. Mas em todo o momento do passeio eu pensava "o cão que descia isso daqui", é realmente alto pra caramba. Eu gosto muito de lugares assim, onde eu me sinto pequena diante de tudo. Dá uma sensação boa de "se coloque aí no seu lugar, querida" e eu curto isso: somos nadica de nada diante da imensidão do mundo! 

Eu fiz a pose mas sentir os dedos que é bom...
O local atualmente conta com o apoio do Club Andino Boliviano, que é uma espécie de instituição que estimula o turismo no local e a dica é: corram para conhecer, urgente, voando! É que essa é uma das 7 geleiras montanhosas que estão sumindo com aquecimento. O guia enfatizou isso durante todo o trajeto e de coração, dava para sentir a tristeza na voz dele. :( 

Essa é a instituição que promove passeios no local
Para fazer a subida no local você paga entre cinco e dez pesos e não espere uma mega estrutura por lá. A situação de abandono é de partir o coração mesmo. Os banheiros são super precários (sem água) e a lanchonete que tem lá é bem simples. 

Tiriqui una fiti ni fri-í, obriguidi! 
Mesmo com essas coisas o brilho do passeio definitivamente não é perdido! Aliás, depois que você chega lá em cima que olha montanha abaixo a única coisa que você quer é sair bolando e tomar um chá de coca quentinho! E foi o que eu fiz, pedi o famigerado pan con huevo e desci duas canecas cheeeeias de chá, foram os 15 pesos mais bem pagos da vida! ;)

Parece cena de filme, né? Fiquei encantada com esse lugar :)

VALLE DE LA LUNA: É LEGAL... E SÓ!
É um sítio arqueológico que fica em La Paz mesmo, bonitinho e legal mas... não sei, não foi um passeio que tocou o meu coraçãozinho, sabe? É turístico ao extremo e senti que não pude aproveitar com calma o lugar. Sem contar que foi um choque danado: sair do frio pesado do Chacaltaya para ir direto para um calor monstro que faz lá!

Quente, muito quente!
A entrada custa 15 pesos e o lugar tem uma estrutura legal pra receber turistas mas eu jamais levaria uma criança pra lá! HAHAHA! É que o lugar tem umas formações rochosas que "para baixo" tem buraco com mais de 30 metros de profundidade e zero grades de proteção. Mas é seguro... para adultos... acho, né? :D

Tirando uma selfie no calor da mulesta
O lugar tem duas trilhas, uma que pode ser feita em 15 minutos e outra de mais de 40 minutos. O grupo da excursão estava só os bofes pra fora e é claro que o trajeto eleito foi o mais curto. A paisagem é legal mas não é o tipo de lugar que mexe com as minhas emoções. Vale a pena ser feito para matar a curiosidade mas eu definitivamente não colocaria esse passeio como uma prioridade.

Só pra posar com meu casaquinho de llama mesmo, valeu!

UM ARREPENDIMENTO: DEATH ROAD!
Depois de chegar do Chacaltaya + Valle de la Luna estava eu jantando no Luna's Pub e Coffe (fica na rua Sagarnaga, queria achar o site deles mas lá a galera não é muito adepta, só encontrei a Fanpage da agência que é vinculada a eles) quando olho para uma plaquinha que fez meu coração bater com muita-muita força. Parei, respirei e nesse exato momento quase cai uma lágrima do meu olho por saber que eu só teria das 9h às 13h do outro dia para aproveitar La Paz.

O motivo desse desengano todo? O passeio maravilhoso-radical-lindo que eu não ia fazer: DEATH ROAD! Simplesmente é o pacote mais disputado de lá: você vai para uma das estradas mais perigosas do mundo e desembesta de bike, simples! Custa em média 500 pesos e inclui todo o equipamento (bicicleta, transfer, roupas, carro de apoio, tudo!) e ainda tiram lindas fotos de você bolando com tudo nas ladeiras. Então, eu peço por tudo que é mais sagrado: não cometam o mesmo erro que eu e se for viajar para a Bolívia, fique pelo menos três dias (completos!) em La Paz e incluam isso no roteiro!

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1 comentários

  1. Eita Ligia o jeito que tu escreve a gente viaja junto... Da vontade de ir logo... Ameiii!!!

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