El Sosneado: visitando as ruínas de um hotel abandonado

12:30

Um dos lugares mais bonitos que meus olhos já viram!
Um passeio marcado pela deliciosa sensação de déjà vu, estrada linda e lugar cercado por lendas e histórias: fomos visitar as ruínas del viejo hotel, que fica em El Sosneado, distrito e localidade do Departamento de San Rafael, localizado na província de Mendoza, na Argentina.

O hotel foi construído em 1938 na Cordilheira dos Andes
O lugar, também conhecido como Hotel Termas el Sosneado, fica na Cordilheira dos Andes e às margens do rio Atuel e tem entrada gratuita. As informações são de que ele foi construído em 1938 e a principal atração dele era justamente a sua pileta termal, ou seja, a piscina ao ar livre com águas sulfurosas que vem de um vulcão próximo. Então imagina a sensação (indescritível!) de chegar a um lugar quase 80 anos após a construção e encontrar a piscina assim... funcionando!

A água estava super fria e tem um cheiro bem forte de enxofre!
O lugar que antes tinha luxuosas instalações (e a imponência do prédio em ruínas passa essa ideia), acabou perdendo força devido à sazonalidade: em épocas de frio, a estrada tem muita neve e o acesso até lá fica ainda mais difícil, o que gerou dificuldades econômicas e por fim, o fechamento total do hotel. Uma pena, pois quando entramos lá é possível sentir uma energia incrível! Há boatos, inclusive, de que ele estaria sendo vendido no Mercado Livre por um milhão de dólares.


Meu coração começa a bater mais acelerado só de pensar em contar como foi esse passeio, pois pra mim, era o mais aguardado de toda a viagem! Pesquisei um bocado na internet, li várias histórias, mas nada se compara a estar em um lugar e sentir o que ele tem pra te dizer. Nada! E foi assim com esse hotel.


O que deixa os visitantes abismados (além da vista, é claro) é a situação de abandono. Visitar as ruínas é um programa gratuito (repito mil vezes pois para mim é inacreditável que um aparelho turístico desse esteja abandonado!) mas recomendo ir com pessoas que realmente conheçam o caminho e algum morador local. Sinal de celular não existe e pedir socorro ali seria bem difícil!

Piscina natural: quentinha, sim!
Se a piscina principal não tem uma temperatura muito agradável (a água é um pouco gelada!), essa piscina natural aí é a salvação! Existe outra bem semelhante a essa e é maior, inclusive, mas quando chegamos já estava ocupada!

Aimeudeus, perainda!
Lá venta muito e é um vento super-hiper gelado, então entrar nessa água quentinha é a solução... em parte! Hahaha! A água tem um cheiro muito, muito, muuuuito forte de enxofre e se você tiver usando bijuterias, aconselho tirar: fica tudo preto!


A água termal é rica em sais minerais e de fato, a gente sentiu uma diferença danada na pele quando saímos, é uma sensação de limpeza bem boa. Dizem que é porque o enxofre ajuda as celulas a se renovarem mais rapidamente. Bom! O cheiro, porém... três dias depois ainda conseguia sentir, viu? Hahaha, mas voltaria sem problemas!

Só a galera cheirosa!
No caminho da volta, ainda fizemos uma paradinha nesse lago que é lindo! Sinceramente, ir num bate e volta é pouco... por mim eu teria passado três dias aí de boa! O ruim é que não tem onde se hospedar, então quem quiser ir para dormir, o negócio é acampar mesmo!

O vento aí é suuuuuper gelado e forte!
Puesteros: é bom prestar atenção ;)
Em caso de extrema necessidade, há os puesteros: pessoas do campo que na época de Verão levam gado para o pasto e ficam acampados nos vales da região do El Sosneado. Trazendo para nossa cultura nordestina, seria o equivalente aos vaqueiros. É possível encontrar os postos a cada intervalo 10 ou 15 km. Caso algum imprevisto aconteça, o negócio é caminhar enfrentando o frio gelado (sim, mesmo no Verão!) para pedir ajuda. Por isso é bom ficar atento na estrada e ir notando se você passou perto de um posto (dá pra notar de longe pela quantidade anormal de bichos) e em situações de emergência eles podem socorrer vocês! Essa recomendação valeria para o período de inverno? Nem um pouco, até porque no inverno é pouco provável chegar até o hotel sem enfrentar uma questão básica: neve! As estradas ficam praticamente fechadas e aí é que o lugar fica deserto mesmo!

"A foto ficou ótima!", eles disseram
Como chegar 
Saímos de casa por volta das 8h acompanhadas de Wal e Júlio (abaixo deixo a informação de contato deles!) e seguimos pela Ruta 143. De São Rafael até lá foram 135 km percorridos em aproximadamente quatro horas de viagem, pois tem um trecho de 80 km de estrada de terra (pedra, subidas, descidas e muitos bichos!).


Passamos pela Salina Del Diamante e quando, depois de muito viajar, deu pra ver a Cordilheira, já começou a me dar um tremelique de ansiedade! Passamos ainda por Los Pocitos (uma zona petroleira) e então chegamos na parte da pista que dá acesso à estrada que liga o povoado até o hotel. Geralmente eu sou o tipo de pessoa que só precisa ir a um lugar uma única vez e já aprendo o caminho mas nesse caso aí, achar as ruínas é um desafio! A estrada de terra tem muitas bifurcações, você praticamente não encontra casas por lá e pedir informação na estrada é uma questão de sorte.


O que vimos bastante (além de carros quebrando e alguns aventureiros, haha) foi lebre, raposa, cavalos correndo soltos no pasto (e como essa cena me dá alegria e sensação de liberdaaaaaadeeeee!) e cabras. Nessas horas eu lembrei muito de pedir a Deus que me livrasse do embrutecimento da alma, de enxergar tudo isso e achar normal, de pensar que é montanha, pedra, neve... é mais! É tão mais!

Enviando boas energias para Marieta & Violeta (minhas bichotas de estimação)
Esse passeio me lembrou uma música de Marina and The Diamonds que diz I believe someone’s watching over me. E existe mesmo, para todos nós. Não ter a noção do quanto isso mexe com a nossa espiritualidade seria um desperdício de vida, gosto de notar como isso nos move, nos coloca mais perto de algo verdadeiramente maior.

Encantador e terapêutico :)

Se você for à Argentina, de verdade... visite esse lugar! Não trocaria nunca dez dias de Buenos Aires por dois dias aí! :)

Quem te leva?

É possível ir sozinho, sim: em caso de estar com um carro 4 x 4 e muita coragem. Há também opções de comprar o passeio via agência de turismo (o que sai por um preço bem alto levando em consideração que, se não fechar turma, eles cobram o valor cheio). Maaaaas tem a opção que nos salvou, que são Wal e Júlio, pessoas super acessíveis e estão oferecendo passeios em San Rafael (Mendoza) a preços bem amigos. Ele é argentino e ela brasileira, têm uma energia incrível, paciência de Jó e muito pique pra aguentar todos os trancos! Vocês podem entrar em contato com eles por WhatsApp e acertar as datas e os roteiros. Os números são: Júlio (+54 9 2604 534563) e Wal (+55 83 9800-6587).

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2 comentários

  1. Olá ameiii seu blog e quero muito ir até esse lugar. Qual melhor mês pra visitação você foi e quanto te custou o passeio?

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  2. Assisti o filme, o avião do time de rugby Uruguaio caiu próximo, você poderia colocar isso no texto, a gente pesquisa sobre o hotel e seu blog aparece de primeira! Linda as fotos.

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