Rio de Janeiro: Cristo Redentor e Palácio do Catete

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Bondinho de Santa Teresa
Uma cidade de diferenças sociais assustadoras e muito turismo feito pra gringo endinheirado. O Rio de Janeiro é aquele tipo de cidade que te ensina muito rapidamente que ou é 8 ou 80, ou você ama e defende até a morte ou é apenas mais um destino “ok“ para marcar no roteiro. Ou você fará turismo barato (ônibus, metrô e museus com preços bem econômicos) e arca com o enfrentamento da violência ou vai gastar uma nota para criar o simulacro de segurança que muitas vezes é sentindo exclusivamente por turistas que podem pagar (caro!) por isso. Muito raramente esses luxos são dados de maneira fácil para quem precisa enfrentar a rotina da cidade tendo uma “vida normal”, o que é muito injusto. Mas sendo a terceira vez visitando a cidade eu queria tentar vê-la de outro jeito, com um olhar mais generoso e que tirasse de mim essas angústias sociais sentidas com o Rio. 

Pensando se tomo mate com biscoito Globo ou como feijoada com torresmo
A primeira vez que visitei o Rio de Janeiro foi entre 2007 e 2008, quando eu era estudante de Jornalismo e viajei durante três dias de ônibus da Paraíba até lá (sofrimeeeento!) para participar de um congresso. Na época fiquei em um alojamento na Universidade Federal Fluminense (UFF) em Niterói e quando queria passear no Rio, pegava a balsa, descia na Praça XV e ia bater perna. Com o dinheiro contado e sem a menor experiência com viagem, fiz o que podia na época: Jardim Botânico, assistir jogo no Maracanã (e o Flamengo perdeu!) e visitei os prédios históricos da área central, incluindo o Real Gabinete Português de Leitura (fantástico, ainda me lembro da sensação ao ver aquele tantão de livros!). Fui na Urca, nada de bondinho e nada de Cristo Redentor (pois sem um tostão) e depois disso, mais três dias de busão pra voltar pra casa e aquela sensação de “é legal mas não morri de amores”.

Parque das ruínas: achei lindo!
Na segunda vez que estive no Rio, em 2017, foi super rápido pois eu voltava de uma viagem até Minas Gerais e eu fui visitar Renatinha (a mesma que me recebeu em 2018 na casa dela) e por um milagre ela conseguiu transformar um dia em uma vida: visitamos o Parque Lage (indico demais o café da lanchonete de lá!) e o Parque das Ruínas (belíssimo). Um conselho? Se puder, visite esses locais durante a semana, pois nos fins de semana é lotado de turistas e tirar uma foto como essa abaixo é praticamente impossível! Hahahaha 

Nas escadarias do Parque Lage
Na terceira vez também fiquei hospedada na casa de Renatinha, que vive em um lugar super charmoso: Santa Teresa! Isso já deu uma aliviada imensa no orçamento da viagem. Além disso, em muitos passeios fui acompanhada de outro amigo que tem uma ligação intensa (de paixão mesmo) pelo Rio. Resumindo: quis tentar mudar muito do que sentia sobre essa cidade… algumas coisas consegui, outras não e no final, mais uma viagem pra conta, sendo super econômica e que me deu a oportunidade de matar saudade de muita gente! 

Eu e Sayonara no Palácio do Catete: amizade dos tempos da escola
Cristo Redentor
Esse ano, na tentativa de conhecer o Rio de um ponto de vista bem turístico (mesmo!), coloquei no roteiro o Cristo Redentor. Fui de ônibus até o Largo do Machado (dependendo de onde você estiver pode chegar lá de metrô) e encontrei João Henrique, o melhor guia não-carioca que você pode ter. Lá no Largo (uma praça) tem pontos de venda para o passeio de Van ou trem. Optamos por ir de van e desembolsamos R$ 75,00 e o serviço é super eficiente e seguro (pois extreeeeeemamente turisticão). Eles fazem uma parada ao chegar na entrada do Cristo e de cara tem inúmeras lojas com souvenirs. Aí é só encarar as subidas dos degraus e admirar uma vista incrível (mas tem uns elevadores por lá pra facilitar o acesso também). 

Quem vê nem pensa que lutou com mais um milhão de turistas pra tirar essa foto!
Era feriadão (exatamente no dia 07 de setembro), o que foi ruim pois estava lotadíssimo mas ainda assim deu pra tirar umas fotos bacanas depois de muita luta com a galera: toooodo mundo querendo a clássica pose de braços abertos mas meu amigo, impossível! Fora a vista encantadora, o passeio é só isso mesmo. Recomendo ir se você gostar muito de Jesus Cristo e se quiser dizer que já visitou uma das sete maravilhas do mundo moderno… e só.

A gente abre os braços como pode
Na volta do passeio do Cristo, se bater aquela fome a dica é aproveitar um dos restaurantes nas proximidades do Largo do Machado. Recomendo o Boteco Bom Sabor (fica no caminho até o Palácio do catete) que tem uma feijoada maravilhosa a R$ 25,00 e que inclui arroz, torresmo, couve e farofa. Um mate para acompanhar e tudo certo! De lá não precisa andar muito e você já estará no próximo ponto turístico…

Palácio do Catete 
Um prédio histórico que tem no acervo a história dos presidentes da república. Uma edificação construída entre 1858 e 1867 e que guarda toda a imponência de uma época. A princípio o palácio pertenceu ao Barão de Nova Friburgo e anos depois foi adquirido pelo Governo Federal.

No jardim do Palácio do Catete
Além de ficar impressionada com a quantidade de detalhes e belezas luxuosas do prédio (lustres, peças em madeira, tetos super desenhados e pintados à mão), é impossível não sentir estranheza ao visitar um dos cômodos mais conhecidos de lá: o quarto onde Getulio Vargas cometeu suicídio, em agosto de 1954. Ele estava sozinho no quarto no Palácio do Catete, então sede do governo federal, quando teria atirado em si mesmo e deixado uma carta. Tem uma reportagem bem detalhada aqui. O fato é que entrar lá e dar de cara com a arma e o pijama dele dá uma sensação pesada (mas nem por isso deixa de ser um passeio interessante!). 
Negócio é tão chique que não sei nem fazer pose!
Mas calma que nem só de tragédia é feito o passeio! O jardim do Palácio do Catete é encantador. Com palmeiras enormes, esculturas, gruta, pontes e uma área com lanchonete, o espaço é um convite para um passeio romântico ou um café no final da tarde. Lembrando que o acesso ao jardim é gratuito e para visitar o museu, as entradas custam R$ 6,00 (inteira) e R$ 3,00 (meia). Antes de ir, uma dica: há dias da semana em que a visitação é gratuita!

Tô organizando todas as fotos e nas próximas postagens mostro outros passeios que curti bastante: a clássica visita a Confeitaria Colombo, o Forte de Copacabana e o que eu mais amei: Ilha de Paquetá.

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